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MAIS UM DIA HISTÓRICO PARA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA  Essa é a dimensão do que os nossos irmãos chilenos fizeram: se colocaram em movimento para enterrar o que ainda resta da ditadura do genocida Pinochet

Em 2019, mulheres e homens trabalhadores, jovens, idosos, comunidades indígenas ocuparam as ruas de Santiago e várias cidades do Chile, operários cruzaram os braços e realizaram grandes greves, manifestações que reuniram milhares e enfrentaram o ódio de classe dos capitalistas que viram seus interesses preservados por tanto tempo sendo ameaçados.

A repressão armada do Estado matou dezenas, feriu centenas e encarcerou outros tantos nossos que estavam na rua lutando contra a miséria, exigindo saúde, educação, previdência. Mas nada disso foi capaz de conter a luta que se transformou em força revigorante para a luta mundo afora.

Era mais do que um grito contido por décadas de ditadura financiada pelo Capital e outras décadas de silêncio consentido pelos governos de conciliação de classes. O genocida Pinochet deixou o governo no início de 1990, mas a Constituição imposta por essa ditadura financiada pelo Capital perdura até hoje.

Uma legislação que acabou com todo e qualquer serviço público, no Chile da água a previdência tudo é privado, a consequencia disso foi a concentração de riqueza nas poucas mãos dos empresários e o aumento avassalador da miséria que atinge a milhões.

O que aconteceu no Chile nesse 25 de outubro de 2020 só foi possível porque centenas de milhares se colocaram em movimento, enfrentando as balas que cegaram diversos olhos mas não a determinação em lutar por melhores condições de vida e colocaram a nu o sistema capitalista, um sistema que sobrevive na exata medida em que mais ataca a vida de nossa classe.

No domingo em que jovens formavam grandes filas para votar e dançavam nas ruas e praças em que mulheres e homens trabalhadores firmes foram para as ruas participar do plebiscito, que idosos que sobreviveram à ditadura de Pinochet fizeram questão de votar foi bonito de se ver e ouvir dessas bocas carregadas de experiência e história: que naquele mesmo estádio nacional onde Pinochet prendeu milhares, torturou e matou na década de 70, agora em 2020 o estádio estava tomado pela disposição em enterrar o que sobrou do governo genocida.

A maioria absoluta dos chilenos votou por uma nova Constituição, como também sobre uma nova Assembleia constituinte onde todo deverão ser eleitos, uma eleição que terá que garantir aqueles que estão organizados em Partidos, mas também em outras Organizações incluindo organizações sindicais, movimento populares e que tenha a participação dos indígenas e paridade entre homens e mulheres.

No Brasil os capachos do genocida governo Bolsonaro inconformados com o que viram no Chile tentam inverter o significado do plesbicito: o ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes foi aluno do governo Pinochet, seu sonho é fazer aqui o que no Chile fizeram, ou seja privatizar tudo, acabar com o SUS, com as escolas, Previdência, saneamento, tudo que público e pode virar mercadoria para o Capital. Na segunda-feira, o líder do governo Bolsonaro na Câmara dos deputados, Ricardo Barros (PP/PR), como todo esse governo hipócrita e defensor da desregulamentação da legislação trabalhista, ambiental entre outras tentou usar o plesbicito que aconteceu no Chile para propor uma nova Assembleia Constituinte no Brasil. Seu objetivo nada mais é do que tentar golpear os direitos que a classe trabalhadora no Brasil garantiu na Constituição Federal de 1988, direitos que não foram obras dos deputados, mas sim fruto de muita luta de nossa classe contra a ditadura e por melhores condições de vida e trabalho.

Não vamos permitir que se apropriem de nossa história e de nossas lutas: as lutas que se se ampliaram em diversos países na América Latina, como Chile, Bolívia, Equador em 2019 não estão apartadas é a luta de classes que ora está oculta como se estivesse adormecida, ora se mostra por inteira.

O dia 25 de outubro foi mais um dia importante de nossa história como classe trabalhadora e que fortalece a necessária ampliação de nossa luta no Brasil contra o Capital e seu capacho governo que tenta a cada dia destruir tudo que com muita luta os trabalhadores garantiram. 

Viva a luta dos trabalhadores no Chile.

Viva a luta internacional da classe trabalhadora.

 

 

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