MOSTRA INTERSINDICAL DE TEATRO – 18 a 21 de agosto de 2016

teatro santos

 

Que as cortinas se abram, ou melhor, que sejam de uma vez arrancadas do palco!

Chegou a hora de um teatro dos trabalhadores.

Apesar do passado com forte tradição de luta e vida cultural dos trabalhadores, vemos em nossa região, todos os dias, prevalecer a arte financiada pela grande indústria, bancos, governos, anunciantes da televisão e patrões. Esta arte, muitas vezes, nos trata como idiotas, maquiando a realidade na qual vivemos.

Chega! É a vez dos trabalhadores da cidade “entrarem em cena” para mostrar a sua arte. Basta do domínio da cultura financiada e escolhida pelos governos e pelos patrões. Se não podemos contar com ninguém, contaremos com nós mesmos!

É com prazer que convidamos a população da Baixada Santista para a 1ª Mostra Intersindical de Teatro.

 

Qual o teatro para uma mostra dos trabalhadores?

Teatro é a representação viva de acontecimentos relatados ou inventados entre seres humanos com o objetivo de entretenimento, prazer, diversão.

Grande parte do teatro feito hoje, proporciona prazer ao ligar nossas “almas” às figuras fantasiosas do palco, deixando nossos “meros” corpos propositalmente cobertos na escuridão. No palco podemos – apenas em alma – participar de um crescente de aventuras que a vida “normal” nos nega. Esse teatro mostra a estrutura da sociedade (representada no palco) como incapaz de ser modificada pela sociedade (que assiste inerte e hipnotizada da plateia). É um teatro feito apenas para nos proporcionar emoções. Precisamos mais do que isso!

Não sabemos como a perplexidade pode mover montanhas? Não é suficiente termos descoberto que certas verdades são mantidas em segredo?

Entre uma coisa e a outra está pendurada uma cortina: avante companheiros, precisamos arrancá-la!

Precisamos de um teatro que provoque emoções, mas que também empregue e encoraje sentimentos e pensamentos que ajudem a transformar as relações entre os homens.

Ademais, um dos grandes prazeres humanos é entender as coisas para poder modificá-las. Está ai uma capacidade humana que pode levar a humanidade a se transformar em muito mais do que é. O homem não tem que permanecer como é hoje e, portanto, não tem que ser representado unicamente como está agora.

Como devem então ser representados os homens em nosso teatro? Que atitude desses homens em relação ao mundo que devemos mostrar?

A atitude crítica, científica, criadora, em uma palavra, transformadora.

A atitude de homens que ao se deparar com o chão vazio, constroem casas; a atitude de homens que ao se depararem com uma plantação, fazem crescer alimentos; a atitude de homens que de frente à maquinas, constroem carros e aviões; e a atitude de homens que frente à sociedade desumana do Capital, constroem uma sociedade humana e fraterna. Nosso teatro deve ser especialmente feito para trabalhadores da construção civil, para trabalhadores do campo, para operários da indústria, para os revolucionários, ou seja, para todos e todas da nossa classe. Deve ser um teatro que convide essas pessoas a se acomodarem na plateia, peça a elas que não esqueçam de suas bonitas ocupações e lhes apresente o mundo em que vivem, para que elas possam transformá-lo da maneira que melhor entenderem.

Nosso teatro é aquele que proporciona prazer em discutir o mundo em que vivemos. O teatro que representa o mundo em sua possibilidade de ser transformado, de maneira a influenciar a sociedade a transformar a realidade. É um teatro que estabelece um “jogo”: apresenta para os trabalhadores as experiências – do passado ou do presente – de maneira que eles possam “apreciar” os sentimentos, conhecimentos e impulsos que são exibidos pelos mais apaixonados, sábios e ativos entre nós – em eventos atuais ou de séculos passados. A plateia deve ter prazer em nosso teatro ao ver a sabedoria que nasce da solução de problemas, ao ver a fúria que está expressando na prática o amor pelos mais fodidos, ao ver o respeito que é possível ter por aqueles que respeitam a humanidade etc.

Deve ser um teatro que nos ensine enquanto diverte.