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Trabalhadores Municipais de Cubatão em apoio aos operários na Usiminas e contra o oportunismo do patrão

Por  Comissão de Luta dos Servidores de Cubatão.

COM A MASSA, SEM A MÁRCIA

TC em apoioNota sobre a manifestação do dia 11/11/2015, em favor dos trabalhadores da Usiminas

Na última sexta-feira, dia 06/11, diante do anúncio da Usiminas de que a empresa demitirá 4 mil trabalhadores da planta de Cubatão, o Governo Municipal resolveu sair em defesa da manutenção dos empregos e da economia da cidade, chamando a população e os servidores municipais a aderirem a uma “grande manifestação” marcada para o dia 11/11 (às 11h, no paço), decretando ponto facultativo municipal, num golpe de oportunismo eleitoral e hipocrisia política.

Reunida com inúmeras entidades sindicais no Bloco Cultural, a prefeita Márcia Rosa (PT) afirmou que o movimento seria legítimo, uma importante “maneira de evitar que aconteça o pior”. Qual pior? Em suas palavras: “Se este fechamento se concretizar, Cubatão fecha”, causando um impacto, como disse o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que seria “sem precedentes na economia da região neste século”.

Além deles, muitos outros prefeitos e vereadores da cidade e região engrossaram o coro do salvamento da Usiminas em benefício de toda a economia metropolitana, apavorados com as consequências do desemprego em massa. Mas o que isso realmente significa? Significa, para alguns especialistas, que a região perderá, com as demissões, cerca de R$ 250 milhões em salários, e haverá queda de arrecadação tributária na ordem de R$ 90 milhões por ano.

A empresa alega que enfrenta crise em suas contas, acumulando milhões de prejuízo. No entanto, a Usiminas se esquece de contar que do 4º trimestre de 2010 ao 3º trimestre de 2015 teve lucro bruto médio trimestral de R$ 735 milhões, R$ 208 milhões apenas em 2014, e que a gigante do aço obteve naquele ano um empréstimo de R$ 2 bilhões para investimento na planta de Cubatão. Pra onde foi essa dinheirama toda? Óbvio, para o bolso dos acionistas e para outros investimentos no país.

Empresas como a Usiminas se importam com lucro, e não nas consequências que a riqueza produzida pelos trabalhadores em cada fábrica pode oferecer ao povo. A manutenção dos empregos, neste ponto, interessa apenas aos trabalhadores, que em momentos de crise enfrentam a navalha funda na carne de quem estará desamparado pelo Estado, desempregado e “abandonado” por parte da sociedade.

O que nós SERVIDORES devemos fazer diante da questão?

Em enquete, realizada em rede social pela Comissão de Lutas, cerca de 99% da categoria considerou justa e necessária a luta em defesa dos trabalhadores da Usiminas. Porém, não há consenso sobre a melhor forma de participação. De um lado, boa parte do funcionalismo não quer alimentar qualquer chance de elevação da credibilidade da prefeita, que tem nos atacado diuturnamente e acabado com os serviços públicos da cidade, e de outro, parte dos servidores veem como imprescindível a participação nas manifestações, pois a solidariedade aos trabalhadores ameaçados deve prevalecer.

Não é uma decisão fácil de ser tomada, mas não podemos nos furtar a pensar a questão e nos posicionar de acordo com uma reflexão séria, que fuja de qualquer discurso raso ou estridente. Não há consenso e precisamos debater e decidir.

Não podemos abrir espaço para a “unanimidade” em detrimento da reflexão política e da decisão madura. Como diria o dramaturgo Nelson Rodrigues: “Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”. A categoria deve aprender a lutar diante da realidade concreta, e não por truísmos (verdades incontestáveis, obviedades) ou purismos pragmáticos que valorizam a opinião da maioria por puro populismo, com medo da contradição e do debate.

Assim, por coerência, apresentamos nossa opinião sobre a questão: A Comissão de Lutas dos Servidores de Cubatão se posiciona AO LADO dos trabalhadores da Usiminas, CONTRA o ataque operado pela empresa, e CONTRA o oportunismo do governo Márcia Rosa!

Chamamos os servidores públicos a estarem conosco e juntos, com os trabalhadores da Usiminas, apoiando suas manifestações na fábrica, e em protesto contra o oportunismo do governo municipal e demais políticos da região, que querem pegar carona na tragédia anunciada para se credenciarem como heróis da cidade e de nossa classe.

Será um momento importantíssimo, com cobertura da imprensa nacional, no qual poderemos fazer duras críticas ao governo e a todos os ataques que estamos sofrendo como servidores, enquanto colocaremos em prática nossa solidariedade como trabalhadores.

Ajude-nos na porta da fábrica ou vá ao Paço Municipal e dê um recado ao governo: estamos COM A MASSA, SEM A MÁRCIA! Todo o apoio aos trabalhadores da Usiminas!

Quanto à prefeita e ao PT cubatense deixamos um pouco de Cartola, para atormentar o sono de quem quer brincar com nossa luta: “Ouça-me bem, amor / Preste atenção, o mundo é um moinho/Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos/ Vai reduzir as ilusões a pó./ Preste atenção, querida / De cada amor tu herdarás só o cinismo / Quando notares estás à beira do abismo / Abismo que cavaste com os teus pés…”

 

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