VITÓRIA DAS MULHERES TRABALHADORAS

Acabou na madrugada do dia 30 de dezembro a votação no Senado Federal da Argentina sobre o projeto de lei que descriminaliza e legaliza a realização do aborto.

Essa não é uma vitória apenas das mulheres na Argentina, mas sim da luta das trabalhadoras no mundo inteiro contra a violência imposta também pelo Estado que em vários países do mundo criminaliza e nega o devido serviço público de saúde para que as mulheres tenham acesso ao procedimento do aborto.

A luta pelo descriminalização e legalização do aborto é uma luta em defesa das mulheres pobres trabalhadoras: a luta feminista pelo fim da descriminalização e em defesa da legalização do aborto é uma luta em defesa da vida de milhares de mulheres pobres e trabalhadoras que além de serem criminalizadas pela legislação imposta pelo Estado, também correm o risco de morrer ao não terem acesso à realização do procedimento do aborto pela rede pública.

O discurso hipócrita dos que dizem que são contra a uma lei que garanta o acesso a realização do aborto porque defendem a vida cai por terra ao se confrontar com a realidade. O aborto só não é um direito para as mulheres pobres, já as ricas seguem fazendo o procedimento em segurança, enquanto as pobres morrem nas clinicas clandestinas que são verdadeiros abatedouros de vidas de jovens, trabalhadoras pobres que recorrem ao aborto não como método contraceptivo, mas sim por uma necessidade de quem é vítima da violência de gênero e da ausência de política públicas que garantam mais do que informação, acesso e atendimento à saúde e mais do que isso que garantam sua proteção.

Isso é tão escancarado que até os meios de comunicação privados do Capital não tiveram como esconder essa dura realidade de que são as mulheres pobres que sofrem com a criminalização, com a falta de acesso ao procedimento devido, legal e seguro do aborto nos serviços públicos de saúde.

Os hipócritas que gritam contra a legalização do aborto são os mesmos que viram as costas para milhões de meninas, jovens e mulheres que são vítimas dos abusos, estupros, da miséria e da cultura imposta pelo patriarcado e mantida pelo capitalismo que tentam impor como destino às mulheres à submissão e coisificação de seus corpos e suas vidas. 

Os hipócritas que gritam contra o aborto são os mesmos que não tem nenhum respeito pela vida de milhares de meninas violentadas, de mulheres trabalhadoras que não têm como sustentar seus filhos e a si, são os mesmos que ignoram a realidade de milhares de crianças que vagueiam pelas ruas, sem comida, sem casa, sem afeto por conta de uma sociedade dividida em classes em que os mais pobres padecem enquanto os hipócritas pretensos defensores da vida seguem tranquilos se aproveitando da realidade de uma sociedade dividida em classes.

A lei aprovada na Argentina em 30 de dezembro de 2020 não é nenhuma concessão do Estado, é uma vitória que vai além da luta do movimento feminista na Argentina, é mais um passo na luta no mundo todo das mulheres trabalhadoras pelo direito a lutar pela vida e não serem criminalizadas por isso. 

Uma luta para que vida das mulheres seja respeitada e não subjugada pela violência imposta nessa sociedade dividida em classes em que o capitalismo se aproveita da desigualdade imposta pelo gênero para ampliar a opressão e a exploração contra as mulheres trabalhadoras e ao conjunto de nossa classe.