
Logo após a vitória dos trabalhadores nos Correios que em várias regiões do país realizaram greve para defender os direitos contidos na Convenção Coletiva, o STF acatou pedido do governo que elimina direitos garantidos também na decisão do julgamento da greve pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Na determinação do ministro ficam suspensas as cláusulas que previam o pagamento de um “ticket extra” de vale-alimentação (o chamado vale-peru), a manutenção do plano de saúde, o pagamento de adicional de 200% para trabalho em dias de repouso e feriados e uma gratificação de férias equivalente a 70% da remuneração.
Veja o absurdo: um governo que antes de se eleger defendia a revogação da reforma trabalhista que entre os principais ataques acabava com a ultratividade, que era a garantia de respeito aos direitos contidos nas Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, agora recorre ao STF para eliminar direitos da Convenção Coletiva de Trabalho.
A distância entre discurso e prática é gritante ao ver que uma das cláusulas que o governo tenta acabar é com a remuneração em dias de repouso dos trabalhadores, o mesmo governo que se diz a favor do fim da escala 6×1.
Além do ataque com esse recurso ao STF, o governo também pretende demitir 15 mil trabalhadores e fechar mil agências dos Correios, o que significa intensificar o sucateamento iniciado em governos anteriores que tinha por objetivo a privatização da empresa.
As medidas implementadas pelo atual presidente da ECT, com a conivência dos ministros da Casa Civil e do Planejamento são medidas de um governo que disse ser contra a privatização e ao desrespeito aos direitos, mas está fazendo o contrário do que declarou.
Contra mais esse ataque é fundamental a solidariedade à luta dos trabalhadores nos Correios que mais do que defender seus direitos, lutam para manter os Correios como uma empresa pública a serviço do conjunto da população trabalhadora.