[Trabalhadores nos Correios] 2016 será um ano de luta em defesa dos nossos empregos e da manutenção do Correios público

Por SINTCOM/PR

2016 será um ano de luta em defesa dos nossos empregos e da manutenção do Correios público

O final de 2015 foi marcado pela crise política nacional, pelo governo Dilma ameaçado pelo impeachment e a velha prática de troca de favores pela manutenção do poder. Com isso, o ministério das comunicações e os Correios foram novamente negociados em troca de apoio político. O PT entregou o comando da empresa e o cargo de ministro ao PDT visando aumentar sua base de apoio contra a derrubada do governo federal.

 

A mudanças dos postos gerou, para alguns, a expectativa de que uma nova política seria adotada nos Correios, que poderia valorizar os trabalhadores e reduzir a imensa diferença salarial existente na empresa. Porém essa esperança durou pouco, muito pouco. Giovanni Correa Queiroz, atual presidente dos Correios, segue a mesma política adotada pelo presidente anterior, Wagner Pinheiro: jogar a conta da suposta crise nas costas dos trabalhadores.

 

No final da gestão petista, começaram a ser adotadas planos de reorganização do trabalho que intensificam as atividades como o DDA, que nada mais é do que a institucionalização da dobra, e o salário com metas de produtividade. Além disso, a perspectiva de enxugamento do quadro de funcionários, por meio de processos de “demissão voluntária”, é alarmante. Isso faz com que cada trabalhador seja coagido a trabalhar por dois e até por três funcionários.

 

Se tudo isso não bastasse, os Correios demitiram seis dirigentes sindicais:  Aragão (MT), Fernandinho (URA), Aurimar (MG) por perseguição política e Afonso (AM), Pedro Paulo (MG) e Henrique (SP) em dezembro de 2015, por participar do ato na Campanha Salarial em agosto de 2013. Em decorrência desta mobilização, a empresa deu, também, a suspensão de 15, 20 e 30 dias de trabalho aos companheiros Edmar Leite e Sergio Lessa, de MT, além de vários outros trabalhadores. Esses desligamentos e punições são uma afronta a categoria, é uma tentativa de intimidar os trabalhadores a participar das lutas e reivindicar direitos e salários.

 

Ameaças aos nossos empregos

Não é coincidência o fato de que, logo após a ação da empresa contra esses militantes, os Correios lançaram um vídeo institucional em que a Vice-Presidente de Gestão de Pessoas (VIGEP) Célia Correa diz, com todas as letras, que a grande questão deste período será amanutenção do emprego. Ela deu um recado muito claro em Setembro, mês da Campanha Salarial, dizendo que, supostamente, não havia caixa para pagar os salários dos trabalhadores. E foi além, disse: “antes de a gente deflagrar uma greve devemos pensar muitas vezes por que nós estamos deixando que nossa empresa fique fragilizada e nós estamos colocando em risco nosso emprego”, numa clara ameaça aos grevistas.

E não foi apenas neste caso que a ameaça ao emprego foi feito pela empresa. Os concursados de 2011, que ingressaram por meio de liminar, receberam uma notificação que podem perder o emprego assim que a justiça decidir. Circula na internet, também, um áudio, supostamente do macro diretor da região de São Paulo e um email de um analista de Correios, que indicam que a ECT deve se utilizar do GCR e das avaliações dos trabalhadores como mecanismo de demitir por justa causa!

 

Hoje temos estabilidade devido a OJ 247, isso é, uma orientação do TST que possui peso de lei, que obriga que nas empresas públicas se garanta a estabilidade no emprego, mesmo que contratado por CLT. Conquistamos esse direito na luta e não aceitaremos abrir mão dele!

Não fazemos greves por que gostamos, fazemos porque temos o menor salário das empresas estatais. Fazemos greve porque a empresa tenta, raivosamente, arrancar direitos dos trabalhadores. Fazemos greve por melhores condições de trabalho. Fazemos greve pela manutenção de uma empresa pública, para que mantenha um serviço de qualidade à população.

Se as ameaças são pesadas, significa que pretendem fazer ataques ainda mais duros a categoria. A luta deste ano não será apenas por salário, mas pela manutenção dos empregos, pela manutenção do serviço público dos Correios e contra a privatização da empresa! 

 

Cabe aos trabalhadores se organizarem para este enfrentamento. Apenas com mobilização e uma intensa luta nacional e unificada conseguiremos resistir aos ataques que os Correios pretendem fazer contra os trabalhadores.

• Por um Correios público e de qualidade
• Pela manutenção dos nossos empregos
• Pela revogação dos demitidos dos Correios e anistia

Firmes!