«

»

Imprimir Post

[Metalúrgicos da Baixada Santista] Mais uma morte provocada pelas péssimas condições de trabalho impostas pela Usiminas

11 de Feveiro de 2014 – Por Sindicato dos Metalúrgicos e Siderúrgicos da Baixada Santista.

Não usinam só aço. Junto com o aço e o lucro, há corpos e vidas. Não temos dúvida que as condições cada vez mais precárias de trabalho impostas pela usina é que vitimaram mais um trabalhador.

No dia 29 de janeiro, Paulo Dias de Moura, 58 anos, que trabalhava como soldador na empresa Delta, morreu dentro da Usiminas ao cair de uma plataforma. Paulo trabalhava na recuperação da plataforma 13 do PCI, um local que já estava isolado devido as péssimas condições, ou seja, colocaram o companheiro para trabalhar lá, mesmo sabendo dos riscos.

Segundo o presidente da Cipa durante o comunicado do acidente, Paulo era um trabalhador experiente que já tinha muitos anos de trabalho dentro da usina com registros na área desde 2002. Paulo era casado e deixa duas filhas e netos.

Nos últimos 20 anos, 55 trabalhadores mortos dentro da usina em Cubatão. O sucateamento feito pela Usiminas aumenta, e com ele o risco à saúde e à vida dos trabalhadores. E para os companheiros que dentro da área trabalham nas empresas terceirizadas, a situação é pior ainda.

Falta de proteção coletiva, exigência de dobras, ritmo alucinante na produção, falta de manutenção, ou seja, o local de trabalho se transformou num atentado à vida para todos os trabalhadores dentro da Usiminas.

Colocam a vida dos trabalhadores em risco e agora tentam se desresponsabilizar

Na última sexta-feira, a Usiminas convocou uma reunião extraordinária da CIPA sobre o acidente que vitimou Paulo e tentou, mais uma vez, ocultar sua responsabilidade. E na reunião marcada pelos representantes da Usiminas, a direção da empresa não apresentou nenhuma medida para garantir a segurança e proteção aos trabalhadores.

Não aceitamos de maneira nenhuma qualquer conclusão sobre o acidente que tente responsabilizar os trabalhadores, é a situação de grave e eminente risco que existe nas áreas provocadas pelas condições de trabalho impostas pela usina que vitimaram mais um companheiro.

Denunciamos ao Ministério Público do Trabalho mais esse grave acidente e ao Ministério do Trabalho, órgão que se omitiu mesmo após tantas denúncias que fizemos sobre a grave situação dentro da Usiminas. Mais do que a denúncia sobre o acidente, vamos denunciar em outras organizações como a OIT, a conivência do órgão que deveria fiscalizar e punir a empresa e nada fez.
Sem mobilização a situação só vai piorar: por isso, além das denúncias, o mais importante é se colocar em movimento, organizados com o Sindicato, a luta também é em defesa da vida.

Em reunião realizada no dia 04 de fevereiro, discutimos sobre as péssimas condições de trabalho e sobre os problemas no PPP

A Usiminas fala através das reuniões nas áreas e também em seus informativos que “está sensibilizada” em relação aos acidentes, mas na realidade continua impondo as condições de trabalho que os provocam.  Na reunião realizada no dia 04, o Sindicato deixou claro que são essas condições de trabalho, o sucateamento
dentro da área que vem vitimando os trabalhadores na usina e nas empresas terceirizadas a situação é ainda pior.
Falamos novamente e exigimos providencia em relação ao PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) que continuam sendo um problema para todos os trabalhadores. Pois o absurdo agora da Usiminas é dizer no momento do preenchimento do PPP que áreas não são mais insalubres, áreas essas que não sofreram nenhuma mudança em sua forma de operação, ou seja, continuam do mesmo jeito que eram em 1997 e até a conclusão do laudo em 2012, ou seja, é a Usiminas tentando fugir de suas responsabilidades.

A usina faz isso para descumprir o pagamento dos adicionais que deviam ser pagos e dificultar a aposentadoria especial, escondendo assim as péssimas condições de trabalho cada vez mais nocivas à saúde dos trabalhadores. Mudar isso é com mobilização, por isso é necessário nos colocar em movimento exigindo além do pagamento dos adicionais que a usina deve aos trabalhadores, também melhores condições de trabalho.

A partir da próxima quinzena, estaremos dando o pontapé inicial da nossa Campanha Salarial 2014 . Nos dias 25/02 (Usiminas), 26/02 (Usiminas Mecânica) e 28/02 (Metalúrgicas), acontecem as assembleia para discussão, elaboração e aprovação de pauta que serão encaminhadas para os patrões.

Anote aí a agenda das assembleias!
Usiminas – Dia 25 de fevereiro (terça-feira) – Horário: às 17h30 – Local: Sindicato, em Santos (Av. Ana Costa, 55)

Usimec – Dia 26 de fevereiro (quarta-feira) – Horário: às 17h30 – Local: Sindicato, em Cubatão (R. Cidade de Pinhal, 91)

Metalúrgicas – Dia 28 de fevereiro (sexta-feira) – Horário: às 18h30 – Local: Sindicato, em Santos
(Av. Ana Costa, 55)

A exploração da força de trabalho vai continuar com jornadas abusivas, com a insegurança que persiste e ronda o dia a dia de cada trabalhador no ambiente de trabalho, entre outros graves problemas. E para combater esses ataques, só a organização, participação e a mobilização de todos.

Desde já, comece a discutir com os companheiros as reivindicações. Só consegue um reajuste salarial decente e se conquista direitos, quem se coloca em movimento! Participe!

Compartilhe!

Link permanente para este artigo: https://www.intersindical.org.br/2014/02/18/metalurgicos-da-baixada-santista-mais-uma-morte-provocada-pelas-pessimas-condicoes-de-trabalho-impostas-pela-usiminas/