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20 DE NOVEMBRO: AVANÇAR NA LUTA E CONSCIÊNCIA – COMBATER O RACISMO ENFRENTANDO O CAPITALISMO Essa é uma luta que não será feita por outra classe que não seja a classe trabalhadora 

Nos EUA manifestações explodiram nesse ano de 2020 contra a repressão policial que segue agredindo e assassinando tento como alvo preferencial os negros e negras. As manifestações foram além da denúncia contra a repressão policial. Foi um importante momento de enfrentamento contra o governo de Donald Trump que foi o espaço para os saudosos do ku klux klan, dos movimentos de extrema direita, xenófobos e supremacistas brancos se sentirem protegidos para vomitar seu ódio nas ruas. 

Além disso, as manifestações mostraram também o grito contra as consequências de um sistema que tão bem soube usar da segregação que distingue seres humanos a partir de sua cor para potencializar a exploração ao conjunto da classe trabalhadora.

A segregação que tenta naturalizar a distinção de seres humanos elegendo quem deve ter a vida respeitada a partir de sua cor não começou com o capitalismo, mas esse sistema além de se aproveitar do período entre o fim da escravidão e o início das novas relações sociais de produção para avançar na acumulação de sua riqueza, incorporou entre tantos outros instrumentos dentro de sua estrutura, o racismo como forma de aumentar a alienação, a fragmentação e consequentemente a exploração ao conjunto da classe trabalhadora.

Não só nesse 20 de novembro de 2020, um ano que em a maior parte dos meios de comunicação privados do Capital muito tem falado sobre a violência brutal e os assassinatos cometidos contra negros é preciso falar sobre aquilo que esses espaços não falarão.

Os meios privados de comunicação foram obrigados a noticiar as manifestações pois a justa revolta explodiu em várias cidades e estados dos EUA e se alastraram por outros países, mas o limite da notícia e da análise seja da imprensa e das entidades consentidas pelo Capital que discutem o racismo chegará a mostrar que os mais atingidos pela violência do Estado que se manifesta na repressão policial, nas decisões do Judiciário, na ausência de políticas públicas, na desigualdade salarial são as mulheres, homens e jovens negros e pobres, mas em todos esses estudos e análises não se verá o grande beneficiário das ações racistas institucionalizadas na máquina do Estado, ou seja, o capitalismo.

Homens negros recebem salários menores que homens brancos, mulheres recebem salários menores do que homens em várias funções, se forem negras receberão salários menores do que as brancas, dessa forma pagando menos para trabalhadores negros e ao mesmo tempo achatando o salário do conjunto da classe o Capital consegue aumentar seus lucros e seguir alimentando a ideologia que tenta separar a luta contra o racismo contra a luta a seu sistema.   

Na véspera desse dia 20 de novembro de 2020, um trabalhador negro foi espancado até a morte em Porto Alegre/RS por policial militar e um segurança de uma empresa terceirizada do megamercado Carrefour. Os noticiários repercutiram a notícia com frases indignadas, a empresa terceirizada demitiu o segurança que junto ao policial cometeu mais um crime contra a vida de um trabalhador negro, a unidade do Carrefour onde aconteceu o crime não abrirá hoje e o que mais? Nada. Nada se falará sobre impunidade das empresas seja o Carrefour e outras que seguem não sendo responsabilizadas por crimes de racismo que acontecem dentro de suas propriedades privadas, como não se falará que atrás de diversas campanhas empresariais e institucionais de combate ao racismo tenta se ocultar as formas de discriminação que se mantém nas relações de trabalho.  

Revelar a vasta história de luta contra escravidão e a segregação dos negros no Brasil e no mundo é fundamental para conhecer nossa própria história, mas para além disso é preciso revelar as diversas formas que o Capital segue alimentando o racismo como forma de alienação e fragmentação da classe trabalhadora, tão necessários para manter sua exploração.

É conhecendo a história, revelando o que o sistema tenta ocultar que nos fortalecermos para combater o racismo enfrentando o capitalismo. Essa é uma luta que só a classe trabalhadora pode fazer.

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