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Preconceito que fere e mata tem alvo: além da cor, principalmente a classe

No domingo, dia 12 de julho, uma mulher negra foi agredida por um policial na zona sul de São Paulo, a mulher tentava ajudar um amigo que estava sendo agredido pela polícia quando foi jogada ao chão, teve uma perna quebrada, foi sufocada e desmaiou por várias vezes, enquanto o policial a pisoteava, num gesto semelhante ao que matou George Floyd nos EUA.

As crianças, jovens, homens e mulheres negros que são vítimas diárias da violência policial, são alvo da repressão para além de sua cor, sua condição de classe, são pobres, são filhos e parte da classe trabalhadora.

Na madrugada do dia 22 de julho, duas pessoas em situação de rua na cidade de Itapevi/SP morreram e a causa mais provável é envenenamento. A suspeita é que as marmitas doadas estavam envenenadas, uma criança e um adolescente que comeram do mesmo alimento estão internados. Não é a primeira vez que pessoas que já lhes têm negado até o mais básico dos direitos, teto para morar, são mortas dessa forma. 

O preconceito de classe se escancara das formas mais sombrias e hipócritas: semanas antes dessas mortes, a tal primeira dama de São Paulo, Bia Dória, que é presidente do Conselho do Fundo Social de São Paulo em entrevista para outra burguesa, a autointitulada socialite Val Marchiori, disse que não se deve garantir alimento para quem está na rua, porque isso “seria um atrativo” para que as pessoas continuassem morando na rua. 

Duas burguesas, encasteladas em suas mansões, duas mulheres que vivem o luxo mantido pela desigualdade social, dizem que pessoas estão nas ruas porque “não querem ter responsabilidades”. As hipócritas, que além de burguesas, são o exemplo mais escancarado da futilidade impregnada em seres como esses,  não falam que nos últimos anos com o aumento do desemprego, só na cidade de São Paulo já passam de 20 mil as pessoas que estão nas ruas, o número é muito maior, por conta da subnotificação. As mulheres, homens, jovens e crianças que estão na rua não estão por opção, foram jogadas à margem, a eles mais do que emprego, salário, teto, é negado o mais básico dos direitos:  abrigo, comida. 

Só ficou no papel projetos para garantir vagas em hotéis para que funcionassem como abrigos durante a pandemia para quem hoje está em situação de rua, os espaços de higienização são precários, ou seja, são milhares nas ruas mais expostos a contaminação pelo novo coronavírus.

Da mulher negra espancada por um policial, das crianças e jovens negros mortos pela ação da polícia àqueles que hoje vagam pelas ruas, todos são vítimas de uma sociedade onde a pequena parcela da burguesia se farta a partir da exploração e da miséria de milhões. 

Esse preconceito que fere e mata só pode ser verdadeiramente enfrentado no avanço da luta da classe trabalhadora formada por todas as cores e etnias. Uma luta contra esse sistema capitalista que tenta naturalizar o racismo, o machismo, a homofobia, a miséria e a exploração. 

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