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A violência do braço armado do Estado à serviço de atacar o conjunto da nossa classe, agride e mata ainda mais nossos irmãos negros

Guilherme Silva Guedes, de 15 anos, desapareceu da frente de sua casa no dia 14 de junho na zona sul de São Paulo. Guilherme foi encontrado morto horas depois, em seu corpo além das balas, as marcas de espancamento e as investigações mais uma vez apontam para participação de policiais em mais um crime contra um adolescente morador da periferia de São Paulo. Qual o crime de Guilherme? Nenhum. É mais um jovem negro, filho da classe trabalhadora que buscava viver com dignidade numa sociedade dividida em classes, em que a condição social marca quem deve viver ou morrer.

Na semana seguinte mais violência policial: também na cidade de São Paulo, no bairro do Jabaquara, policiais invadem uma casa com crianças, atiram bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha, dois jovens são agredidos, um deles tem os dentes arrancados pelas balas da polícia. 

No mesmo final de semana, na cidade de Carapicuíba/SP, um jovem negro é asfixiado em mais uma ação violenta da Polícia Militar de São Paulo, naquilo que eles chamam de “abordagem” policial.  O jovem Gabriel enquanto tomava um “mata leão” do policial, chegou a desmaiar sucessivas vezes, a cena da crueldade leva diretamente à ação policial nos EUA, que matou George Floyd, assassinado depois de ser rendido pelos policiais em Minneapolis.

Em maio, o garoto negro João Pedro é assassinado pela polícia do Rio de Janeiro dentro de sua casa enquanto brincava com seus amigos, a hipócrita e sórdida desculpa da corporação militar para justificar mais um assassinato é a de que estavam em uma operação contra criminosos na comunidade.

Semanas depois, o pequeno Miguel, uma criança negra de 5 anos, caí do 9º andar de um edifício de luxo no Recife/PE, porque a patroa de sua mãe não cuidou dele. Miguel foi abandonado pela patroa, enquanto sua mãe tinha que levar a cachorra da família na qual trabalha para “passear” na rua.

Na maioria desses casos de violência e assassinatos, os jovens e as crianças eram negras, mas além de serem negras, são pobres, filhos da classe trabalhadora, moram nas periferias onde o que impera é a violência do desemprego, da fome, da ausência dos direitos, a única coisa que abunda é a violência imposta pelos governos que estão a serviço de manter e ampliar o abismo da desigualdade social.

O governador de São Paulo, João Dória do PSDB, o mesmo que durante sua campanha e assim que tomou posse, afirmou que sua política de segurança pública seria baseada no aumento da violência policial, agora tem a cara de pau de dizer que os policiais terão “treinamento sobre direitos humanos”. 

Dória que era um animado apoiador de Bolsonaro, só se distanciou desse governo genocida na retórica em tempos de pandemia, mas são iguais em seu projeto de reprimir a classe trabalhadora e seus filhos para avançar nas ações que a burguesia exige. 

Bolsonaro, um saudoso da ditadura militar, tem nas milícias a nova expressão dos esquadrões da morte, que possuem em seu DNA as polícias militares, sua principal base de apoio. Mas um apoio que não se sustenta quando a luta da classe trabalhadora extrapola as categorias, as cores, as etnias, as orientações sexuais e se transforma numa luta da classe trabalhadora.

É na luta dos trabalhadores, que vamos vingar nossos mortos, nossas crianças e jovens, que além da cor de sua pele, tem marcado em sua vida sua condição de classe. Portanto é na luta do conjunto da classe trabalhadora que podemos enfrentar a repressão do Estado imposta pelo Capital que para sobreviver avança contra nossos direitos e nossas vidas. 

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