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A LUTA DE CLASSE NÃO TEM COR

Assassinatos dos mineiros em Marikana no norte da África do Sul, desvela a paz de cemitério oculta após o fim do apartheid.

No último dia 17, a polícia africana atirou contra mineiros, trabalhadores na multinacional britânica Lonmim (a terceira maior no ramo da produção de platina no mundo), em greve reivindicando aumento salarial e melhores condições de trabalho.

Mais de 40 trabalhadores foram assassinados, numa luta que se estende há dias e que revela a parceria de parte do movimento sindical africano aos patrões. Num desses sindicatos, o presidente da entidade também está no conselho de administração da Lonmim e submisso ao CNA (Congresso Nacional Africano) que governa o país.

A luta dos mineiros que se espalha pelo país, pois trabalhadores em outras mineradoras, também multinacionais, como a Anglo American Platinum e a Royal Bafokeng Platinum também já se colocam em movimento exigindo as mesmas reivindicações de aumento salarial e melhores condições de trabalho.

São trabalhadores negros, sendo feridos à morte por policiais também negros, que foram liberados a reprimir a mobilização a partir de um governo que chegou a direção do país depois de décadas de luta contra o apartheid.

A luta pelo fim do apartheid na África é parte fundamental da história de combate à segregação étnica no mundo, mas para além dela, a luta maior é de classes e essa não tem cor e nem fronteira.

As grandes multinacionais com seus Estados nacionais onde cabem brancos e negros não só manteve como ampliou a exploração dos trabalhadores africanos e é contra isso que esses homens e mulheres se movimentam.

O Capital em sua gênese, tem um importante instrumento para submeter, envolver e quando preciso matar os produtores de valor. É isso que está acontecendo na África do Sul: para tentar frear a luta da população trabalhadora por mais salários, melhores condições de trabalho e vida, e assim manter as altas taxas de lucro das multinacionais, os instrumentos do Estado nos mais distintos governos democráticos compostos por brancos ou negros, estão à disposição.

A COR DE NOSSA CLASSE É VERMELHA, DO SANGUE DERRAMADO POR NOSSOS COMPANHEIROS NEGROS, BRANCOS e AMARELOS.

NOSSA LUTA NÃO TEM FRONTEIRA, ELA ESTÁ EM CADA CANTO DESSE PLANETA ONDE OS TRABALHADORES SE LEVANTAM E SE MOVIMENTAM CONTRA O CAPITAL.

SOMOS MINEIROS DE MARIKANA TAMBÉM!

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