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Uma questão de classe…

Quem vive dizendo por aí que “no Brasil felizmente não vivemos numa sociedade de classes”, que me desculpe, mas não sabe muito bem o que está falando. Lembram-se da recente comoção nacional, das manchetes em tudo quanto é mídia, em especial, como não poderia deixar de ser, na REDE GLOBO?

É claro que um desastre aéreo daquelas proporções realmente é um terrível drama da vida real. Só que agora… Agora, por gentileza, leiam o texto abaixo publicado hoje mesmo no PAINEL DO LEITOR da FOLHONA, escrito por Pedro Valentim, um assinante daquele jornal pra lá de conservador do “status quo”, que reproduzo abaixo, de graça para vocês:”Imaginei que o desastre que ocorreu com o choque de dois trens no Rio de Janeiro e que deixou oito mortos e uma centena de feridos fosse causar a mesma comoção nacional que ocorreu com a tragédia do Airbus da TAM. No entanto, até agora ninguém viu o movimento “Cansei” convocar a nação para um minuto de silêncio em solidariedade às vítimas e a seus familiares, e muito menos a indignação de Hebe Camargo, Regina Duarte, Ivete Sangalo e Ana Maria Braga.

Também não se tem notícia de que os atletas de todas as modalidades esportivas da nação vão atuar em competições com tarjas negras no braço, e até agorao presidente da República não decretou luto oficial de três dias no país. Não estou criticando as homenagens que acertadamente foram feitas às vítimas do Airbus. Mas, a partir do momento em que os gestos não se repetem com as vítimas do desastre de trens no Rio, talvez por serem eles, pobres e negros, comprova-se a tese de que até na hora da morte o Brasil se divide em Casagrande e Senzala.”Pedro Valentim (Bauru, SP)a última linha do texto de Pedro Valentim:”… até na hora da morte o Brasil se divide em Casagrande e Senzala”.

Essas palavras me fazem lembrar a frase:”A proclamação da Abolição da escravatura foi o dramático momento em que os negros saíram das senzalas e foram para as favelas”… … onde a maioria deles continua a viver, ou melhor, a sobreviver até hoje, em péssimas condições, agora acompanhados de milhões de brancos pobres, especialmente vindos do Norte-Nordeste, esses heróis anônimos, obrigados a fazer trabalhos pesadíssimos no “Sul Maravilha” em troca de míseros salários que lhes paga a burguesada, em especial na construção civil; brasileiros, enfim, que construíram e constroem o nosso país

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