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Manifesto: Em defesa da classe trabalhadora contra a criminalização dos que lutam

No ano de 2000, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em conjunto com diversas organizações do movimento sindical e popular organizou uma ocupação de terra na cidade de São José dos Campos/SP na Fazenda conhecida como Santa Clara.

Essa ação fazia parte da ampliação da luta na região do Vale do Paraíba pela Reforma Agrária, a fazenda escolhida era um espaço de terra improdutiva, utilizada pelo Banco Amazonas para fins especulativos, portanto uma terra que não cumpria a função básica e essencial de produção de alimentos para a população trabalhadora.

A resposta do Capital e seu Estado para essa ação dos trabalhadores foi como sempre de ataque. Onze companheiros foram presos e ficaram encarcerados por 21 dias, depois disso aguardaram a finalização do processo em liberdade.

O Estado seguiu agindo para atender os interesses do Capital e a sentença condena esses 11 trabalhadores a 6 anos e 2 meses de prisão. Dois deles Luciano Correia dos Reis e Eulino Oliveira Mota já se encontram encarcerados.

A CONDENAÇÃO É CONTRA A LUTA
POR TERRA, TRABALHO, DIGNIDADE

Tratam a luta pela terra como crime, tratam 11 trabalhadores como criminosos. Seu crime? Lutar por um pedaço de chão para morar, trabalhar e produzir alimentos.

Por mais que se utilizem dos instrumentos que dispõe o Estado para tentar enquadrar esses 11 trabalhadores nos “ritos” do judiciário, nós sabemos a verdade e não temos medo de divulgá-la: a sentença é contra os que lutam por uma outra ordem, a sentença é contra aqueles que lutam por terra, trabalho,direitos.

Luciano Correia dos Reis de 27 anos e Eulino Oliveira Mota de 67 anos são prisioneiros políticos, suas condenações como a dos demais companheiros é uma ação que condena e criminaliza a todos nós que seguimos em movimento contra a ação do Capital seja na cidade ou no campo, que concentra riqueza na exata medida do aumento da miséria e da morte da classe trabalhadora.

Além dos 11 companheiros em São Paulo condenados, a perseguição contra os trabalhadores percorre todas as regiões do país. Em setembro o governo de Yeda Crussius no Rio Grande do Sul, a serviço do agronegócio assassinou o trabalhador rural Elton Brum, além disso, a ação do governo gaúcho é intensa e permanente no sentido de encurralar, intimidar e criminalizar não só o MST, mas o conjunto do movimento sindical e popular.

Trabalhadores seguem sendo perseguidos e assassinados de norte a sul. Quando não é a bala do Estado, são as condições de trabalho e vida que levam à morte nossa classe.

Enquanto isso os instrumentos do Capital seguem dando garantias para que esse acumule e concentre mais riqueza através da exploração da classe trabalhadora.

A noticia requentada transmitida pelos meios de comunicação, sobre a ocupação organizada pelo MST na região de Iaras, numa terra que serve há anos para grilagem e que hoje está sendo utilizada pela empresa Cutrale para aumentar ainda mais seus lucros é um exemplo disso.
Forjaram depredações e roubos, repetem as cenas das laranjas sendo derrubadas por diversas vezes, como se esse fruto estivesse a disposição de saciar a fome da população pobre e trabalhadora.

A produção realizada pelos trabalhadores na Cutrale, que sofrem das mesmas péssimas condições de trabalho que atingem os trabalhadores na cidade é enviada em sua maioria absoluta para o exterior para os grandes grupos empresarias. Ou seja, a terra sendo usada não para garantir alimento à população trabalhadora, mas sim lucro para o Capital.

NÃO VÃO CONSEGUIR NOS PARALISAR

As organizações que assinam esse Manifesto, afirmam que a prisão e a condenação desses 11 trabalhadores rurais, é uma ação organizada pelo Capital e seu Estado para criminalizar os que lutam e suas organizações. Portanto não reconhecemos a condenação, exigimos a liberdade de Luciano e a revisão da sentença que tenta encarcerar homens e mulheres trabalhadores, que lutam por terra e trabalho.

São 11 pessoas, trabalhadores como nós, pais, mães que a cada dia se levantam para buscar o sustento dos seus, mas também para lutar por outro mundo onde os que produzem possam socializar o fruto do seu trabalho.

É NA LUTA QUE VAMOS EXIGIR A LIBERDADE PARA NOSSOS COMPANHEIROS.

NÃO VAMOS DAR TRÉGUA AO ESTADO QUE TENTA CRIMINALIZAR A NOSSA LUTA.

CONTINUAMOS EM MOVIMENTO NA CIDADE E NO CAMPO POR DIREITOS, SALARIOS, TRABALHO, TERRA E MORADIA.

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